25.8.09

Peroguarda - Festa Anual em honra de Santa Margarida



Maria Esperança


Festas em Honra de Sta. Margarida



Peroguarda Festa Anual 2009



21 de Agosto (Sexta-feira)

22.00h - Serões da Aldeia com talentos da Terra



22 de Agosto (Sábado)

Dia do Folclore e da Tradição - Tarde Cultural


17.00h

- Grupo Coral Etnográfico Misto “Alma Alentejana” de Peroguarda

- Grupo Coral Feminino “As Margaridas de Maio” de Sta. Margarida do Sado

- Grupo Coral “Os Trabalhadores” das Alcáçovas

- Grupo Coral Alentejano de Tunes, Silves

- Rancho Folclórico e Etnográfico “ Flores das Cortes" de Miranda do Corvo







22.00h - Baile com ANA


00.30h - Actuação dos artistas LUCAS & MATEUS e continuação do Baile



23 de Agosto (Domingo)


17.00h - Missa


18.00h - Procissão em honra de Santa Margarida, abrilhantada pela Banda Filarmónica de Ferreira do Alentejo




22.00h - Baile com “Duo Sensações”


24 de Agosto (Segunda-feira)


18.00h - Garraiada à Alentejana no Campo de Futebol


Organização: Grupo de Jovens de Peroguarda e Grupo Coral Etnográfico Alma Alentejana de Peroguarda

11.8.09

Exposição de Fotografia





CAMINHOS DO CANTE

  • Cante
  • Etnografia
  • Tradição


ISAURINDA BRISSOS
Junta de Freguesia de Peroguarda
Sala de Convívio
21-22 -23 e 24 de Agosto 2009


Exposição incluida na programação da Festa de Anual Peroguarda em honra de Santa Margarida, padroeira da terra

Peroguarda - Ferreira do Alentejo - Beja - Portugal

8.8.09

Peroguarda, a aldeia mais portuguesa do Baixo Alentejo



Peroguarda é uma aldeia de feições miúdas.

O seu pequeno aglomerado de casa estende-se sobre o pendor de um pequeno outeiro.
A nascente corre, nos invernos, uma murmurante ribeira estreita. A poente, antes de atingir a povoação fica o cemitério, cuja edificação data de 1865, que nos deixa admirar as cornijas dos ciprestes que se erguem de dentro dos alvos muros. Aí, podemos relembrar memórias de Peroguarda. Confina pelo poente com Ferreira do Alentejo, pelo Norte com Alfundão e pelo nascente com Faro do Alentejo e Cuba, pelo sul com Beringel e Trigaches.

Em pleno coração da aldeia, a igreja Paroquial de Santa Margarida, templo simples mas bastante interessante, e à volta dela, as "Casas de Santa Margarida", conforme Lenda, que vos irei contar...

Conta-se que foi Pero da Guarda quem fundou esta povoação, construindo algumas casas junto de uma oliveira, na parte média do outeiro onde a mesma se edificava, casa a que chamou " Casas de Santa Margarida". Pero da Guarda foi atacado, de noite, por um "lobo" que se ocultara no tronco carcomido de uma oliveira denominada "cascarra" e o feriu mortalmente, escrevendo antes de morrer, o seguinte


"Fiz Peroguarda e Alfundão
Todos vivam como eu vivi
e ninguém morra como eu morri"

Existe nesta aldeia de Peroguarda uma rua denominada "Rua do Lobo", por onde a lenda diz ter fugido o lobo que atacou Pero da Guarda, e até há poucos anos, existiu a oliveira de enormes dimensões, onde dizem, o lobo se ocultara.
Nas chamadas de "Casas de Santa Margarida" existiu numa ombreira da porta, uma lápide funerária romana, cuja inscrição se suponha estar relacionada com a fundação da localidade.
Esta lápide encontra-se actualmente no Museu Regional de Beja.

A 7 quilómetros de Ferreira do Alentejo, a freguesia de Peroguarda situa-se numa das mais importante regiões cerealíferas do país. Peroguarda é a aldeia típica alentejana em toda a sua dimensão.

Situada no extremo oriental do concelho de Ferreira do Alentejo, e no concelho de Beja, o seu povoamento é antiquíssimo. Têm aparecido no decorrer de várias escavações arquelógicas muitos vestígios de civilizações antigas: luso-romanas, visigóticas, árabes.

Peroguarda, classificada a aldeia mais portuguesa do Baixo Alentejo encanta com o seu branco e singelo casario que contrasta com o verdejante trigo ondulante e a sua igreja de Santa Margarida que ainda apresenta traços quinhentistas.


Nesta freguesia está sepultado o grande etnomusicólogo, Michael Giacometti, que se enamorou pelo seu misterioso cante alentejano, tradição local de relevante valor cultural.




Não fique a ver a banda passar...



...do mirante!

No dia da Tradição e Folclore,
Vem ver ao vivo e a cores a Festas de Peroguarda em honra de Santa Margarida.
Dias 21-22-23-24 Agosto 2009,

toda a Aldeia está em Festa
com Garraiada de touros , Grupos Corais e Procissão.

7.8.09

Viver numa aldeia no século XXI

Peroguarda, classificada a aldeia mais portuguesa do Baixo Alentejo, possui “riquezas inigualáveis”, dizem os seus habitantes. Uma das suas riquezas é a Igreja de Santa Margarida que apresenta traços quinhentistas.


Sobre as Festas Populares de que mais gosta, Virgínia esclarece:
-“Para mim a Procissão da Páscoa é a festa mais sentida. E essa procissão eu já a via ao colo da minha avó. É muito bonita. Os homens vão cantando as Aleluias, que são únicas no país. É muito bonito!” E quando Virgínia termina de dizer esta última frase começa a cantar, numa voz lenta, doce e triste: “Ressuscita o nosso Deus… Aleluia…” Depois compõe-se da emoção e retoma:
“Também gosto muita da festa de Santa Margarida. Antes a festa fazia-se em Outubro, que era a altura em que os ceareiros e os lavradores tinham dinheiro porque vendiam o trigo às fábricas e tinham dinheiro para pagar o fogo-de-artifício. Agora, a festa em honra da Santa Margarida é em Agosto porque é tempo de férias e é quando regressam muitas pessoas à aldeia. Mas há uns anos que não se deita o fogo porque há 20 anos o fogo de artificio provocou um incêndio. Aqui na aldeia ainda se fazem os funerais como na Idade Média. Alguém leva a cruz e de lado vão com as lanternas. Alguém vai atrás com o corpo e leva a opa preta. Outro transporta a mesa onde depois se pousa o caixão. Agora, e como a população está mais envelhecida e os novos não estão, só se faz o funeral assim se houver jovens na família dispostos a carregar o corpo”.


Nesta pequena aldeia de nome Peroguarda, onde está sepultado o conhecido etnomusicólogo, Michel Giacometti, que se enamorou pelo misterioso cante alentejano.

Foi por causa desse enamoramento que, contrariando a tradição, o povo cantou na hora da despedida “Fomos amigos do Michel Giacometti. Cantámos para Giacometti no da do enterro dele, foi a pedido dele que o fizemos”. Virgínia canta emocionada:

Ai solidão!
Cá para mim quer sim, quer não...
Vem a morte e leva a gente...
Quem não há-de ter paixão!
Que paixão não há-de ter...
Ai solidão!

E sobre aquele dia tão pesaroso para os habitantes de Peroguarda que ao etnomusicólogo queriam bem foi um correr de lágrimas e de tristezas. A poetisa recorda: “Foi emocionante ver o Grupo Coral de Peroguarda a cantar e a chorar. Aqueles homens todos choravam, homens rudes do campo, enrugados, face curtida do sol”. Este casal , Virgínia e Agostinho, privou com o amigo a quem tratavam por Michel, sem grandes cerimónias. “Ele vinha sempre a nossa casa e à casa de um tio meu. Era um homem muito humano...

Para mim ele tinha uma alma grande como a planície, bonita como as papoilas e rica como o trio”, palavras gravadas na sepultura daquele conceituado amigo da terra.

...

“Comecei a trabalhar no campo ainda menina e apaixonei-me pela aldeia e pelo campo porque esta aldeia é única. Esta terra é única em costumes e maneiras. As formas de lidar do povo, a sua entrega… são únicas. Havia um tanque perto de nossa casa e eu ia lá lavar a roupa, agora vou, mas menos vezes. Antes não havia água canalizada.

Há uns anos que tenho máquina de lavar roupa e lavo em casa. Antes, ia buscar água ao poço… As coisas eram diferentes. Trabalhei no campo até aos 50 anos.

A festejar o 25 de Abril parti-me toda, dei uma grande queda e deixei de conseguir trabalhar tanto no campo como fazia. Sempre trabalhei no campo, embora depois de ter tido o acidente tive de arranjar outro ganha-pão. Arranjei trabalho em frente a casa. Reformei-me na idade normal, com 65 anos”, conta Virgínia.

E sobre a terra que acredita ser a mais linda de todas diz:

“Vivi sempre em Peroguarda. Não conseguia viver noutro lugar. Quando ia ao concelho, que é aqui perto, não gostava, já não era igual, não é a mesma coisa. Peroguarda é uma aldeia com casas baixinhas. Há poucas casas que tenham primeiro andar. As ruas da aldeia são calcetadas com calçada antiga. As casas são muito branquinhas. Levantando o tempo as pessoas vêm caiar a frente das casas. À volta da aldeia, nas terras circundantes, há girassóis, boas cearas, alguns olivais. Gosto muito de estar rodeada pela natureza. Quando o tempo traz a geada é um sofrimento muito grande estar no campo, mas quando está tempo ameno, um dia quente, quando há sol, não há nada melhor do que estar no campo!”.

No campo não aprenderam apenas a lavoura, nem aprenderam apenas a separar “o trigo do joio”, aprenderam o cante, tão característico da alma alentejana.

“O campo era uma escola de canto, não era na aldeia que se aprendia. O sol-pôr era lindo! A aldeia ficava cheia de vida. O rancho dos almocreves, o rancho de camponeses num bulício de sons e cores, consagrando aos deuses”, diz Virgínia e Agostinho retoma: “Os melhores são os que aprenderam a cantar no campo. Os bons alentejanos são os que aprenderam a cantar no campo. Os camponeses vinham do campo a cantar”. Enlevada, as palavras tomam de novo conta dos seus lábios e, Virgínia canta: “O camponês sempre canta quando o cansaço fustiga...”; “Tudo era motivo para cantar...

Só não se cantava à volta da pessoa que morria”.



Virgínia Maria Dias e Agostinho Brissos Pereira
Viver numa aldeia no séc. XXI - Jornalista Rita Campos Fão
TVI - Fevereiro 2009

1.8.09

Povo que canta não pode morrer ...




HOMENAGEM AO ALENTEJO
ISAURINDA BRISSOS
Produção e imagens
Isaurinda Brissos




O Cante da minha Terra ...

Canta o semeador
Enquanto semeia o trigo
Sua cantiga é de dor:
Adeus Michel meu amigo.

Abre-se a terra ao encanto
Daquela cantiga triste
E escreve em sulcos de pranto
Adeus Michel que partiste.

Tece um ramo a camponesa
De um adeus que traz consigo
Murmura como quem reza
Adeus Michel meu amigo.

Passarinho sempre alegre
Porque cantas hoje tão triste?
Choro um adeus que se despede
Adeus Michel que partiste.

Poema
Virgínia Maria Dias






Muito mais do que uma mera colectânea de textos e notações musicais, este livro constitui um verdadeiro itinerário pelo mundo da música popular portuguesa, bem como um estudo acessível, completo e documentado sobre um tema riquíssimo e sempre actual.
Ao longo das suas páginas é toda a extraordinária diversidade da música popular portuguesa – parte viva e importante do nosso património cultural – que se revela aos olhos do leitor.
Resultado de dois anos de intenso trabalho do investigador Michel Giacometti – o qual, ao longo de mais de duas décadas, percorreu o nosso país, de Norte a Sul, até às localidades mais remotas e esquecidas, recolhendo, criteriosa e pacientemente, as autênticas expressões musicais do nosso povo –, o Cancioneiro Popular Português é uma das mais completas obras do género desde sempre publicada no nosso País e uma das poucas, no contexto europeu, que reproduz fielmente todo um folclore musical ainda hoje vivo e actuante nas tradições de um povo.

Das canções de berço às toadas ao redor da morte, das cantigas de noivado e casamento aos cantos de trabalho, das cantigas e danças para as festas e arraiais às canções de bem-querer e maldizer, tudo está presente nesta obra única no panorama editorial português.

Na elaboração deste trabalho, Michel Giacometti contou com a colaboração de Fernando Lopes-Graça, tendo conseguido reunir material valiosíssimo e inédito: são apresentadas 250 espécimes musicais, para além de fotos de inúmeros instrumentos musicais populares e utilíssimas referências bibliográficas complementares, bem como uma cuidada informação discográfica.

Ao englobar no seu trabalho vários domínios da expressão popular, o autor salvaguardou do esquecimento uma parcela importante do nossso património cultural.
Por tudo isto, o Cancioneiro Popular Português constitui um passo de inegável relevância para o conhecimento necessário da nossa identidade.


Retirado do livro "Cancioneiro Popular Português" de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça - Círculo de Leitores, Lisboa.


O Mistério Giacometti

Reencontro com a memória


Povo que canta...

video

Não pode morrer!

As imagens que fizeram história


Michel Giacometti, nascido na Córsega a 8 de Janeiro de 1929, licenciado em Letras de Etnografia, lança a âncora em Portugal em 1959. Por cá relaciona-se com o maestro Fernando Lopes Graça, que lhe transmite preciosas informações sobre o património musicólogo português e encoraja-o a realizar as suas primeiras projecções, ao norte do País.
Michel Giacometti descobriu Peroguarda através de António Reis, cineasta e poeta portuense. Este, por sua vez, apaixonou-se pela aldeia ao presenciar uma actuação do seu grupo coral, no Porto. “Ficou maravilhado com as nossas vozes e já não nos deixou” conta João Relvas, de 79 anos. “Quando nos viemos embora, ele veio atrás de nós, numa lambreta”.
A partir daí, e durante alguns anos, Reis, foi uma presença assídua em Peroguarda, tendo procedido a recolhas de poesia popular e idealizado a realização de um filme, que o seu desaparecimento em 1991, frustrou.

António Reis era exuberante. Giacometti era reservado, sóbrio de palavras. Quem o quisesse entender tinha de saber ler-lhe o olhar, sentencia, saudosa, Virgínia Maria Dias. O que os fascinava em Peroguarda? Diziam que a nossa voz era mais doce que a gente de outras terras… Não sei se era ou não. Sei que o povo abriu-lhes os braços e deu-lhes todo o afecto. Entre o senhor Michel e o meu tio Caranova existia uma amizade que é difícil descrever. Para ele, Michel era tudo. Apesar de analfabeto, Joaquim Caranova era um profundo conhecedor do cante alentejano, além de virtuoso intérprete.

Citando Fernando Lopes Graça e criticando os adulteradores, costumava dizer:

- “A música para ser séria tem de ter lá as notas todas”.


Afecto assim não o sentia Giacometti da parte das instâncias oficiais, que sempre se mostraram indiferentes ao seu trabalho e nunca lhe deram apoio.

"Cheguei a fazer prospecção sem nada na algibeira. De madrugada, sozinho, para poupar, desgravava as fitas que tinha gravado durante o dia se a música não me parecia suficientemente interessante para a conservar", confessou Giacometti ao jornalista Adelino Gomes, numa das suas últimas entrevistas.

Agostinho Brissos Pereira e João Relvas corroboram esta escassez de meios. Não nos lembramos de ter dormido uma única vez em Peroguarda. Terminada a recolha, fosse a que horas fosse, partia. Talvez porque vinha sempre à boleia de amigos – nunca trouxe carro próprio – e não os queria demorar. O trabalho de pesquisa etnográfica era manifestamente insuficiente para Giacometti viver com largueza. As recolhas nunca lhes valeram nos momentos de dificuldade, sublinha Virgínia Maria Dias. Não tirou delas um proveito imediato, o que demonstra que ele vinha até nós por amizade sincera. E que tinha uma alma grande.

O etnomusicólogo corso procurava registar o cante polifónico alentejano na sua expressão mais autêntica. Em vez de grandes grupos corais, preferia juntar meia dúzia de pessoas, num ambiente informal de uma taberna ou de uma casa particular. “Não gostava de gravar muitas vozes ao mesmo tempo”, confirma Virgínia Maria Dias.

Sete ou oito à roda de uma mesa, na taberna da tia Vitorina ou na do Américo, eram suficientes. Para que o cante se soltasse, bastavam dois dedos de conversa e uns copos de vinho. Discretamente, o senhor Michel punha o gravador a trabalhar, para que ninguém se sentisse intimidado.

Ouvia-se então o Estravagante, o Menino, Améliazinha, Ao passar a ribeirinha ou Solidão, tema que Giacometti gostava particularmente, toda a pena do mundo em sílabas de enigmática beleza:


Solidão, ai dão, ai dão
Cá pra mim quer sim, quer não
Vem a morte e leva a gente
Quem não há-de ter paixão”.


video

Segundo Virgínia Maria Dias, Giacometti não era homem de impôr nada, mas preferia que os cantadores se dispusessem em círculo. O seu marido Agostinho Brissos Pereira confirma que a experiência de muitos anos de cante, primeiro no grupo de Peroguarda, agora no de Alfundão.


Em círculo, o cante “puxa” mais. A voz é só uma, captamos todos os sons. De frente uns para os outros, sabemos o que estamos a cantar; só o mexer dos lábios são notas de música. A atenção a estes pormenores fazem de Peroguarda ainda hoje uma terra única, acentua Agostinho Pereira.


O nosso Grupo Coral Etnográfico Alma Alentejana, fundado em 1936 pelo professor Joaquim Roque, tinha a particularidade de ser um grupo misto. Se homens e mulheres cantavam juntos na ceifa, na azeitona, nos bailes, por que havíam de ficar separados no grupo?


Joaquim Roque, natural de Peroguarda, autor de vários livros sobre etnografia alentejana, entre eles “Alentejo cem por cento” teve a preocupação de vestir os elementos do grupo com trajes representativos dos diversos trabalhos agrícolas.


“Havia ceifeiras, mondadeiras, apanhadores de azeitona, varejadores, pastores, tudo com trajes diferentes”, lembra Agostinho Pereira.


Michel Giacometti (1929-1990) Etnomusicólogo francês, natural da Córsega. Estudou na Suécia, doutorando-se posteriormente na Universidade da Sorbonne (Paris). Radicou-se em Portugal em finais dos anos cinquenta, interessando-se pela recolha e gravação de música popular portuguesa. Ao longo de 30 anos, percorreu o país, gravando centenas de cantares e músicas tradicionais, dando origem àquele que é, até hoje, o mais exaustivo levantamento da cultura musical portuguesa.
Do seu espólio constam ainda centenas de instrumentos musicais, fotografias, recolhas de literatura popular e de instrumentos e materiais ligados ao trabalho rural, parte dos quais deu origem, em 1987, aos Museu do Trabalho Michel Giacometti (Setúbal).
Editou, em colaboração com Fernando Lopes Graça, a Antologia da Música Regional Portuguesa (1963, em cinco volumes) e, em 1981, um Cancioneiro Popular Português.

Foi ainda autor de uma série de documentários televisivos, sob o título Povo que Canta.
Grande parte do seu espólio musical encontra-se ainda por editar ou organizar.


Alentejo Ilustrado – Março 2004



Michel Giacometti faleceu a 4 de Novembro de 1990, em Faro, não sem antes ter expresso a vontade de ser enterrado em Peroguarda.

23.12.08

Cante ao Menino


video

"O MENINO" Gravação feita por Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça

em Peroguarda

Saudades de Michel Giacometti

A pequena aldeia de Peroguarda tem-no na memória.

António Caranova ainda se lembra de quando Michel Giacometti lhe assomou pela primeira vez à porta da Casa do Povo.

"Entre home!

"Ele vinha quando calhava, chegava à tarde e abalava já noite adentro"- diz Virgínia Maria Dias

O serão tinha quase sempre lugar marcado. "Aqui cantava-se muito na taberna. Quando havia um copinho pelo meio é que as vozes se soltavam ", recorda ela.

Michel Giacometti viria a gravar aqui "O Menino" ou "Os três Cavalheiros", canto de peditório pelos reis...

Depois fala destes dias em que um grupo de homens embrulhados em mantas ia à busca de esmola dos lavradores.

"Neste tempo havia muita fome no Inverno", confessa

Do cante, como chamam a estes cantares de sentido religioso, fazia parte também "O Menino", cantado em vésperas de Natal, ou a "Oração da almas" entoada à porta dos lavradores nas vésperas de Ano Novo.

Mas, como revela Caranova, a curiosidade de Michel Giacometti não se ficava pelas canções.

"Ele puxava muito pela nossa vivência. Nessa altura éramos uns seis com um arado ao lado uns dos outros, e a gente ia cantando"

Jornal "O Público" - 27/11/1994

21.10.08

Memórias de Peroguarda


video

Peroguarda


Na planície quente e trigueira
De pelo o sol ser beijada
Mora uma ceifeira
Por todos amada.

Não é morena!
Deus fê-la branquinha
É muito pequena
Mas tão bonitinha.

Fá-la mais catita
A sua singeleza
Só veste de chita
Bem à Portuguesa

No riso, brinca-lhe uma fonte
Nos cabelos um raio de sol
Seu cantar rasga o horizonte
Belo como o rouxinol.

Beija o infinito
Ri à madrugada
Seu nome é bonito
Ela é ... Peroguarda

Virgínia Maria Dias - Poetas de Peroguarda