Sonho
Sonhei sim! Mas nunca com riqueza
Nem sempre com uma vida ociosa
Sonhei ter uma cultura primorosa
Manejar o saber das letras com destreza
Sonho ousado para quem tão ignorante
Nem na língua mãe a portuguesa
Eu sei exprimir-me com clareza
Ou tão pouco escrevê-la correctamente.
Não me ensinaram os trigais
E neles eu trabalhei de sol a sol
Não me ensinaram o melro e o rouxinol
Nem a brisa das tardes estivais.
Não me ensinaram o vento suão
Nem as fontes onde eu ia buscar água
A todos eu conto a minha mágoa
Erro meu! Falei em vão.
Então cansada de sonhar
Empunhei hábil e com firmeza
A minha foice de camponesa
Mas meu sonho eu não consegui ceifar.
Se ignorante o destino me fadou
Jamais o poderei concretizar
Que parta!
Para que eu possa aceitar
Assim como o destino me talhou
Virgínia Maria Dias - Poetas de Peroguarda
