21.5.07

Como eu te amo Peroguarda!...

Virgínia Maria Dias

Como eu te amo Peroguarda!
Eu própria me espanto de te querer deste jeito
Nem os oceanos têm em si tanta água
Como eu tenho amor por ti no meu peito


Este amor que carrego desde o berço
amor estranho! Misto de flor algema e grito
Que de tão grande sempre me transcendeu
Que duende, deusa, ou fada mo teceu .

Assim tão vivamente intenso e infinito?
Oh minha aldeia, meu pedacinho de chão.
Em ti imolei os meus anseios mais doces.
Caminhos que tracei, por eles segui? Não!

Só fui onde querias que eu fosse.
De mim dei-te tudo!
A oração fremente que em meu peito reza
Até o momento alto em que me desnudo

Eu te dou, em toda a sua força e fraqueza.
Pequena e pobre de ti vão partindo
Eu por ti ficando
Toda eu te cobrindo
Toda eu te abraçando.


Ergui-te tronos de rainha
Fiz flores para os teus cabelos
Com os sonhos que eu tinha
Meus sonhos tão belos.


De todos separei o mais lindo.
Aquele que dançava à lua em noites de Agosto
Com esse, por ser o mais lindo
Pintei o teu rosto.


E dei-te a fita verde
Que me prendia a trança
Minha fita verde
Verde esperança.


Dei-te o cravo branco
Pregador perfeito
Que em dia santo
Me adornava o peito.


Dava-te sem hesitar
Toda a minha vida
Fosse ela o pilar
Que te sustesse erguida.

Virgínia Maria Dias in "Poetas de Peroguarda"